Fui intimado para depor na delegacia. Preciso ir com advogado?
A intimação deve ser atendida, e a presença de advogado é um direito em qualquer caso. Quem é ouvido como investigado pode permanecer em silêncio sem que isso seja interpretado contra ele. Quem é ouvido como testemunha tem o dever de dizer a verdade, mas ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. Saber em qual condição a pessoa será ouvida muda a preparação.
Um familiar foi preso em flagrante. O que acontece agora?
A prisão deve ser comunicada imediatamente ao juiz e à família ou à pessoa indicada pelo preso. Em até vinte e quatro horas o auto de prisão é enviado ao juiz, e a pessoa deve ser levada à audiência de custódia, em que se decide se ela continua presa ou responde em liberdade, com ou sem fiança ou outras medidas cautelares.
Todo crime admite fiança?
Não. A Constituição e o Código de Processo Penal tornam inafiançáveis, entre outros, o racismo, a tortura, o tráfico de drogas, o terrorismo e os crimes hediondos. Nos crimes com pena máxima de até quatro anos, o próprio delegado pode arbitrar a fiança; nos demais casos, quem decide é o juiz. Mesmo quando não cabe fiança, a liberdade provisória pode ser concedida.
Quanto tempo dura um inquérito policial?
A regra do Código de Processo Penal é de dez dias quando o investigado está preso e de trinta dias quando está solto. Com o investigado em liberdade, o prazo pode ser prorrogado pelo juiz, e na prática muitas investigações duram bem mais do que isso.
O que é o acordo de não persecução penal?
É um acordo entre o Ministério Público e o investigado, previsto no Código de Processo Penal, que evita o processo criminal mediante o cumprimento de condições. Ele é possível em crimes sem violência ou grave ameaça, com pena mínima inferior a quatro anos, e exige confissão formal. Não se aplica, entre outros casos, aos crimes de violência doméstica ou contra a mulher. Antes de aceitar, é preciso avaliar as condições e as consequências.
Fui vítima de um crime. Existe prazo para agir?
Depende do crime. Nos crimes que dependem de representação da vítima e nos de ação penal privada, o prazo é, em regra, de seis meses, contados do dia em que a vítima soube quem é o autor. Nos demais, a investigação não depende da vítima, mas registrar a ocorrência e preservar as provas logo cedo continua sendo importante. A vítima também pode atuar no processo como assistente de acusação.
Como funciona o Tribunal do Júri?
O Júri julga os crimes dolosos contra a vida, como o homicídio e a tentativa de homicídio. O procedimento tem duas fases. Na primeira, o juiz analisa as provas e decide se o caso vai a julgamento popular. Na segunda, em plenário, sete jurados sorteados decidem o caso depois de ouvir a acusação e a defesa.
Como funciona a progressão de regime?
A Lei de Execução Penal prevê a passagem para um regime menos rigoroso depois do cumprimento de uma fração da pena, que varia conforme o tipo de crime, o uso de violência e a reincidência, além de exigir boa conduta carcerária. O trabalho e o estudo durante a pena também podem reduzir o tempo a cumprir, pela remição.
As informações desta página têm caráter meramente informativo, não constituem consulta jurídica e não substituem a análise individual de cada caso. Prazos, requisitos e procedimentos podem variar conforme a legislação aplicável e a situação concreta.